REFERENCIAÇÃO E HUMOR IRÔNICO EM CHARGES POLÍTICAS DO JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO
Nome: FERNANDA LEITE EVALD
Data de publicação: 30/03/2026
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| KARINE SILVEIRA | Examinador Externo |
| MARIA DA PENHA PEREIRA LINS | Examinador Interno |
| RIVALDO CAPISTRANO DE SOUZA JUNIOR | Presidente |
Resumo: Na presente pesquisa, adotou-se como tema a referenciação e o humor irônico na
construção da crítica social em charges políticas publicizadas no período eleitoral de
2024 pelo jornal Folha de S.Paulo. Nesse cenário, compreende-se que a charge
consiste em uma prática comunicativa de natureza estratégica (Miani, 2023), e a
referenciação, em uma estratégia textual-discursiva que deflagra o efeito de humor
irônico, o qual, em consonância com a função do texto chárgico, evidencia opiniões e
críticas a respeito da política brasileira. O corpus para exame é formado por dez
charges extraídas da versão digital do jornal Folha de S.Paulo. À vista disso, buscou
se responder às seguintes questões: i) como os objetos de discurso são construídos
em charges veiculadas na Folha de S.Paulo?; ii) como os processos referenciais
contribuem para a construção de efeitos de humor irônico nas charges selecionadas?;
iii) de que forma os chargistas utilizam o humor irônico como aporte de crítica social?
Por conseguinte, nosso objetivo geral é analisar a atuação da referenciação como
estratégia para a deflagração do humor irônico e da crítica social nas charges
publicizadas na Folha de S.Paulo durante o período eleitoral de 2024. Para atingi-lo,
estabeleceram-se como objetivos específicos: i) descrever como os referentes
(objetos de discurso) são construídos nos textos chárgicos; ii) examinar como os
processos referenciais contribuíram para a construção de efeitos de humor nas
charges selecionadas; e iii) analisar o uso político do humor irônico como estratégia
para a crítica social. A base teórico-metodológica compõe-se de estudos sobre a
charge (Maringoni, 1996; Miani, 2023; Pagliosa, 2005; Romualdo, 2000), no que se
refere à sua organização textual e suas funções sociais; a referenciação (Capistrano
Júnior, 2012; Matos, 2018; Cavalcante et al., 2022; Mondada, 2019), no que diz
respeito às estratégias de (re)construção de objetos de discurso; o humor (Bergson,
1983; Raskin, 1985; Freud 1905; Muniz, 2004) e a ironia (Hutcheon, 2000; Brait, 2008;
Oliveira, 2008; Cavalcante, Brito e Faria, 2023; Cavalcante e Brito, 2024), quanto à
conceituação e o entrelaçamento, que resulta em humor irônico. Ficou evidente que
os referentes são (re)categorizados na atividade discursiva, de modo a engatilhar a
ironia e a denunciar as hipocrisias e insatisfações que permeiam o cenário político do
Brasil, sobretudo no que tange ao comportamento dos políticos.
