ESTRATÉGIAS DE TEXTUALIZAÇÃO E MOBILIZAÇÃO DO PATHOS: DESVENDANDO O DISCURSO DE ÓDIO CONTRA MULHERES EM COMENTÁRIOS DO INSTAGRAM

Nome: MAYRA DUARTE FIGUEIRA

Data de publicação: 29/10/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANA LÚCIA TINOCO CABRAL Examinador Externo
FÁBIO ANDRÉ CARDOSO COELHO Examinador Externo
MARIA DA PENHA PEREIRA LINS Examinador Interno
MÔNICA LOPES SMIDERLE DE OLIVEIRA Examinador Externo
RIVALDO CAPISTRANO DE SOUZA JUNIOR Presidente

Páginas

Resumo: A representação dos papéis desempenhados pelas mulheres há muitos anos é
construída a partir de uma relação social em que os homens estão centralizados e
exercem a dominação do poder (Bourdieu, 2022). Sob essa perspectiva, na
sociedade contemporânea democrática brasileira, muitas são as circunstâncias nas
quais os discursos de ódio atravessam as interações sociais humanas e
direcionam-se à repreensão dos comportamentos, corpos e decisões das mulheres.
Posto isso, nesta pesquisa, dedicamo-nos à investigação sobre como a
referenciação e a intertextualidade, relevantes estratégias de textualização,
contribuem para a manifestação das emoções e posicionamentos, revelam a
maneira como o discurso de ódio é expresso. Para isso, fundamentamo-nos nos
estudos de Bernard Barbeau e Moïse (2023), Lorenzi Bailly e Moïse (2022), Trindade
(2022), Sponholz (2020) e Butler (2021) acerca da organização do discurso de ódio,
de modo a entendermos como essa violência simbólica manifesta-se nas práticas
linguísticas de forma direta e indireta no ambiente digital (Paveau, 2021). Como
hipótese, temos que as categorias analíticas da Linguística Textual (LT) – a
intertextualidade e a referenciação - podem ser reveladoras de estratégias
argumentativas que revelam o discurso de ódio em comentários sobre mulheres nas
redes sociais, além de contribuírem para a mobilização do pathos, mobilizando uma
audiência à corroboração das práticas discursivas odiosas. Com base nessa
hipótese, estabelecemos as seguintes perguntas de pesquisa: 1) O que os estudos
das estratégias textuais - referenciação e intertextualidade, bem como sobre a
mobilização do patêmica revelam sobre a organização do discurso de ódio, em
especial, aqueles que são direcionados às mulheres nas redes sociais virtuais? 2)
De que forma as estratégias textuais servem à manifestação de um posicionamento
e expõem a mobilização do pathos no discurso, considerando os princípios da
inferência emocional? Desse modo, o objetivo geral da presente pesquisa é
buscarmos uma melhor compreensão da produção discurso de ódio contra as
mulheres nas redes, propondo uma compreensão das manifestações linguageiras,
de modo que sejamos capazes de explicar como os fenômenos textuais e
discursivos servem à construção de uma argumentação no discurso que expõe a
perpetuação social de uma visão preconceituosa sobre as mulheres na sociedade.
Por sua vez, os objetivos específicos são: 1) averiguar de que maneira, a partir da
interface entre a interface entre os estudos da Teoria da Argumentação do Discurso
e da Linguística Textual, a intertextualidade e a referenciação evidenciam a prática
discursiva odiosa e 2) analisar como as estratégias textuais possibilitam a
mobilização de um pathos que opera para a perpetuação de práticas linguageiras
estereotipadas negativamente sobre comportamentos das mulheres. Para isso,
estabelecemos um diálogo com as teorias sobre referenciação realizadas por Matos
(2018), Cavalcante (2011), Cavalcante et al. (2020, 2022), o trabalho de Carvalho
(2018) sobre a intertextualidade, a abordagem da argumentação do discurso, bem
como a mobilização do pathos, consoante Aristóteles (2012), Oliveira (2020),
Charaudeau (2010, 2015), Ungerer (1995), Plantin (2010) Cavalcante et al. (2020) e
Amossy (2008, 2010, 2018), em discursos com orientação argumentativa. Tendo em
vista essas questões, recorremos à Amossy e Pierrot (2022) a fim de evidenciarmos
como os discursos de ódio direcionado às mulheres estão ancorados em
estereótipos desvalorizantes construídos socialmente. Nosso corpus organiza-se em
30 comentários reativos, 15 em cada publicação, a duas publicações na rede social
Instagram da cantora Luísa Sonza e da influenciadora digital Thaís Carla. As
análises dos dados da pesquisa revelam que a referenciação e a intertextualidade
são estratégias textuais que evidenciam um discurso de ódio cujas práticas estão
associadas a reprodução de estereótipos degradantes a respeito das mulheres.
Além disso, observamos que as construções referenciais acionam os princípios de
inferência emocional que servem como estratégias na mobilização do pathos, o qual
opera para o engajamento e replicação dessas práticas discursivas odiosas.

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