A VARIAÇÃO DOS VERBOS TER E HAVER EXISTENCIAIS EM REVISTAS DA TURMA DA MÔNICA: Uma análise em tempo real de 1970 até 2010

Nome: AMANDA HENRIQUES MACHADO

Data de publicação: 19/12/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ANA MARIA RIBEIRO DE JESUS Examinador Interno
ELYNE GISELLE DE SANTANA LIMA AGUIAR VITÓRIO Examinador Externo
LEILA MARIA TESCH Presidente

Resumo: À luz da Teoria da Variação e da Mudança Linguística (WEINREICH; LABOV; HERZOG,
2006 [1968]), esta dissertação analisa a variação entre os verbos existenciais ter e haver em um
estudo em tempo real, buscando descrever e interpretar um processo de mudança linguística em
curso no português brasileiro. O fenômeno já foi amplamente discutido na literatura (AVELAR,
2006; CALLOU; AVELAR, 2000, 2012; DUARTE, 2003; DUTRA, 2000; SIBALDO;
CORREIA, 2014; VITÓRIO, 2008, 2010, 2013), que aponta a expansão progressiva de ter em
detrimento de haver em modalidade escrita e oral. Tomando como corpus 178 edições das
revistas da Turma da Mônica, publicadas entre as décadas de 1970 e 2010, esta pesquisa
investiga como se dá a alternância entre ter e haver em construções existenciais, articulando
fatores linguísticos, semânticos e extralinguísticos e observando o comportamento das variantes
ao longo dos anos. A escolha das histórias em quadrinhos se justifica por se tratar de um gênero
textual-discursivo multimodal, que combina linguagem verbal e visual e constrói uma
representação planejada da oralidade, ancorada em personagens de diferentes perfis sociais,
faixas etárias e espaços de circulação, o que torna o corpus especialmente produtivo para a
análise Variacionista. Além disso, a Turma da Mônica, enquanto fenômeno editorial de ampla
circulação, constitui um patrimônio cultural e linguístico, no qual se atualizam preocupações
sociais, debates sobre preconceito linguístico e a legitimação de variedades do português,
desempenhando também um papel fundamental na formação de leitores. Do ponto de vista
metodológico, o estudo adota uma abordagem quantitativa e qualitativa, com tratamento
estatístico por meio da plataforma R na interface do RStudio, e do programa GoldVarb X. A
variável dependente ter e haver é analisada em função de variáveis independentes linguísticas
(tempo e modo verbal, tipo de construção, posição do sintagma nominal e presença de
elementos à esquerda do verbo), semântica (natureza do argumento interno) e extralinguísticas
(década e ano de publicação, personagem, fase da vida e localidade). Os resultados evidenciam
um avanço contínuo e expressivo da variante inovadora ter ao longo das cinco décadas
analisadas. Em 1970, ter aparece com frequência de 28,70%, mas já na década seguinte salta
para 75,59%. Esse crescimento prossegue nas décadas seguintes, alcançando 90,09% em 2010.
Paralelamente, haver reduz-se progressivamente e se concentra em contextos determinados por
tempos verbais e a personagens cujas falas são associadas a traços mais conservadores. As
análises linguísticas, semânticas e sociais confirmam que essa mudança não é abrupta, mas
gradual, multifatorial e socialmente motivada. Conclui-se que as revistas da Turma da Mônica
registram e difundem a consolidação de ter como verbo existencial predominante, além de
demonstrarem a relevância dos quadrinhos como fonte produtiva para a investigação de
fenômenos de variação e mudança linguística.

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