A EXPRESSÃO DO SUJEITO PRONOMINAL EM PEÇAS DE TEATRO CAPIXABAS: UMA ANÁLISE EM TEMPO REAL

Nome: IESA VENTURIN MULINARI DE RODRAN

Data de publicação: 28/08/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
CAROLINY BATISTA MASSARIOL Examinador Externo
GESIENY LAURETT NEVES DAMASCENO Examinador Interno
LEILA MARIA TESCH Presidente

Resumo: A presente pesquisa, tendo como teórico-metodológica da A Sociolinguística
Variacionista (Labov [1972], 2008; Weinreich, Labov, Herzog [1968], 2006) e a
Sociolinguística Histórica (Romaine, 2009 [1982]; Conde-Silvestre, 2007), propõe
uma investigação em tempo real, no contexto da variedade capixaba, sobre a
mudança em curso no português brasileiro em direção ao aumento da frequência
de expressão do sujeito pronominal. Identificada por estudos variacionistas como os
de Paredes Silva (1988), Duarte (1995; 2018 [1993]), Genuíno (2017) e Massariol
(2018), essa mudança consiste na crescente necessidade de se expressar o sujeito
dos verbos com pronome pessoal. É tida como desencadeadora desse processo a
entrada das novas formas você, vocês e a gente no quadro de pronomes pessoais
do PB. Por serem derivadas de sintagmas nominais, esses novos pronomes
compartilham suas formas verbais com a 3a pessoa, gerando a necessidade de
expressão para evitar ambiguidade. Utilizamos como material de análise 12 peças
de teatro capixabas na modalidade escrita, das quais foram coletados 4785 dados.
As peças foram distribuídas em 4 sincronias que abrangem um um intervalo de
tempo que vai do final do século XIX até o início da década de 2000. Buscamos
investigar a influência de fatores linguísticos e sociais sobre a mudança, tendo
sempre em mente que a produção linguística em análise é uma elaboração artística
dos autores, que projetam nos personagens sua percepção dos usos linguísticos de
sua época. Os resultados gerais confirmaram nossa hipótese de que a 2a pessoa
seria a mais alterada ao longo das sincronias, uma vez que sofreu a entrada das
novas formas pronominais tanto no singular quanto no plural. Já a 1a e a 3a
apresentaram trajetórias muito similares, com uma queda de frequências
inesperada no período III. Assim, não foi confirmada nossa hipótese de que a 1a
pessoa, com a estabilização do uso do pronome a gente, fosse apresentar mais
alterações que a 3a pessoa. Observamos predominância da influência dos fatores
linguísticos sobre os sociais, o que já era esperado, visto que tratamos de um
fenômeno considerado abaixo do nível da consciência. Apesar disso, os fatores
sociais também se mostraram significativos, o que não costuma ocorrer nos
estudos sobre o fenômeno, sinal de que a expressão do sujeito pronominal foi
utilizado como recurso para caracterização dos personagens.

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